terça-feira, 18 de julho de 2017


Crucifixo

À meia-luz do claustro, do convento,
Das mãos em um rosário, entrelaçadas,
Absorta estava a freira em seu momento
Em orações, em preces devotadas.

Fitando a efígie do alto monumento
Analisava as formas buriladas;
Estava ali o Cristo macilento
Com as etéreas mãos na cruz, pregadas.

Vinha-se da janela vagamente
Uma centelha frouxa e alvinitente,
Que a face do alto Cristo iluminava;

E dessa luz, então, se ver podia,
Que a freira em seu orar não percebia,
Que o Cristo, a sua face, contemplava.

Derek SCastro
Julho de 2017

terça-feira, 11 de julho de 2017


Ad Infinitum

Tremula o sol em tons crepusculares,
A bruxulear a chama no ocidente;
De passo em passo os cirros pelos ares
Dissipam-se no azul do céu morrente;

E a noite vem trazer os seus milhares
De astros que emergem gradativamente...
São luminosidades singulares
Da Via Láctea pródiga e imponente.

...E no fulgor da plácida paisagem,
Oriunda de um efêmero sentido,
Vestem-se aos olhos meus a tua imagem,

Feita de estrelas, céus e imensidades...
A tudo então contemplo, sucumbido,
Ante a visão perpétua das saudades.

Derek SCastro
Julho de 2017