domingo, 1 de abril de 2012

Visões da Meia-Noite


Nessas ermas alturas tão sombrosas,
Vaga a lua soturna que me encanta,
Tal se fosse o cadáver duma santa,
Envolvido por brumas lutuosas.

Nessas noutes de trevas suspirosas,
A minh'alma da vala se alevanta,
Para olhar essa lua que abrilhanta,
Transmutando-se em formas curiosas.

E parece um errante cisne branco,
Embalado, perdido sobre o flanco,
Pelas águas dum lago; tão sem norte...

Vaga a lua... Tristonha senhorita!
Qual um olho envolvente que me fita,
O olho imenso, fatídico da morte!

Derek Soares Castro
11 de janeiro de 2012

* Versos decassílabos no ritmo Martelo Agalopado (3ª, 6ª e 10ª).