quinta-feira, 15 de dezembro de 2011


Irônica Desventura

Longe se ia o coveiro ao cemitério,
Aos soluços carpindo a desgraceira;
Levando a velha, sempre companheira,
Pá, num labor horrífico e funéreo;

E sobre um mausoléu pétreo e cinéreo,
Tanto se debruçava pela beira
Das lájeas; tal qual uma atra caveira,
Gemendo num tormento tão cimério.

E o que tanto o afligia o peito, forte...
Dizia para as pedras moribundas:
— Que destino este meu! Que triste sorte!

Mas, aquele que muitos; sepultava...
Por das covas a sete palmos fundas;
“Naquele dia a amada ele enterrava!”

Derek Soares Castro

terça-feira, 6 de dezembro de 2011


Nos Braços de Maria

Recordo-me da imagem d'outro dia,
Daquele Cristo lânguido e cansado,
Todo chagado, mole e extenuado,
Caído no regaço de Maria.

Seu esvaído lábio parecia
Dizer o adeus dum jeito sussurrado;
E de Maria, o pranto soçobrado,
Na lágrima mais triste que caía.

Sua cabeça débil sobre o braço
Pendia por cair; e num abraço
Maria olhava os seus olhos sem brilho...

Na comoção divina que se via,
Parecia que o lábio de Maria,
Dava-se a chorar: — Meu Filho! Meu Filho!

Derek Soares Castro