terça-feira, 30 de agosto de 2011


No Silêncio dos Túmulos

No fim daquelas tardes tão sombrias,
Eu t'esperava num soturno abrigo,
E tu chegavas dentre algum jazigo
De passo em passo; e pulcra me sorrias.

Se me recordo o livro que trazias
Por entre aquelas alvas mãos, contigo.
Sentavas — Meu Amor — junto comigo,
E aqueles versos lúgubres tu lias...

Eu contemplando ouvia enternecido,
A sair do teu lábio enegrecido,
A melodia dum som tão etéreo.

Parece-me estar inda t'escutando,
A tua voz bem branda recitando:
“O mar é triste como um cemitério!”

Derek Soares Castro

6 comentários:

  1. Que pagina maravilhosa...aqui quero voltar sempre.

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  2. Belo soneto meu caro amigo ,como sempre arrebenta, principalmente nestes temas lúgubres, meus parabéns. Sérgio.

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  3. Meu amigo, essa alma soturna encanta através de sagradas letras.
    Deposito neste jazigo estas flores:

    "Com dores n’alma adentrei ao sacro recinto
    E ouço murmúrios solitários nesta necrópole,
    Sair de tua boca como uma oração de Cristo

    Mas ao recordar, que tu'alma não perece
    E dentro do peito as marcas dos meus conflitos
    Me junto à tu’alma, recitando mais esta prece..."

    Um abraço, e sempre que possível, estarei por aqui para meditar.

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  4. Lindo... Estou sentindo falta de suas postagens no recanto! Beijos.

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