segunda-feira, 28 de outubro de 2013


Post-Mortem

Branca, da casta seda das alvuras,
E fria, tal qual o invernal rocio;
Davam-se as mãos em densas contraturas
Prostradas na opulência e no atavio.

Feito uma santa — o rosto tão esguio —
Na lividez de lânguidas canduras,
Pousado no recosto tão sombrio
De um féretro de ilustres talhaduras.

Trajada no brancor dos linhos nobres,
Já parecia ouvir os mestos dobres
Dos sinos divinais da eternidade.

E merencória e plácida e tristonha,
Tal como quem serenamente sonha,
Na glória da santíssima trindade.

Derek Soares Castro
18 de Outubro de 2013

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