Amor Aeternus
Nós que andávamos, no verdor dos anos,
À sombra de ciprestes e poentes,
Contemplando os funéreos oceanos,
E a solidão das sendas tão silentes;
Pelo destino e seus traçados planos,
Regamos as espirituais sementes,
Selando nossas almas nos arcanos
Da paixão entre os mármores jacentes.
E um dia, quando exânimes, calados,
Os nossos esqueletos abraçados
Forem dormir sonhando a mocidade,
Nestes mesmos caminhos que passamos,
Abrir-se-ão da terra os longos ramos,
De nosso amor florindo a eternidade.
Derek S. Castro
Maio 2026
*Ilustração feita por mim em 2016.
Meu caro Derek, que obra-prima absoluta! Que privilégio é ler você e acompanhar a evolução dessa sua identidade poética tão rica, solene e visual!
ResponderExcluirAo ler teu "Amor Aeternus", a sensação que dá é a de entrar em uma pintura clássica do Romantismo sombrio. Você tem um domínio impressionante para criar atmosferas; a forma como abre o poema nos situando entre "ciprestes e poentes" e diante de "funéreos oceanos" não é apenas descritiva, ela dita o ritmo do nosso batimento cardíaco antes mesmo de a história começar.
A imagem dos "esqueletos abraçados" é de um lirismo gótico monumental. Lembra os grandes clássicos da Segunda Geração Romântica, mas com uma delicadeza única sua. Transformar a crueza da morte e dos ossos em um berço onde eles vão "dormir sonhando a mocidade" é poesia pura, da mais alta estirpe. Você despiu o terror da morte e o vestiu de eternidade.
O poema poderia ter terminado no túmulo, mas você escolheu a transcendência! A imagem da terra se abrindo em "longos ramos" e o amor florindo a eternidade é um fecho de ouro. O amor aqui não é destruído pelo tempo, ele vira a própria natureza. Deposito aqui minha lágrimas e minha flores (de alegria!) e felicidade! Em nome do Lírio das Almas, meu fraterno abraço.